A PROTETORA

Evidentemente que não me lembro, mas conta minha irmã doze anos mais velha que eu, que quando nasci a parteira torceu o nariz diante diante da minha feiura. Ninguém conseguia compreender como uma mulher linda como minha mãe podia ter gerado uma criança tão estranha como eu. Diziam as más línguas da comunidade do morro, que minha mãe tinha sido castigada por viver acendendo velas no cruzeiro do cemitério. Eu fui crescendo e aos sete anos de idade já ajudava mamãe no terreiro que ela mantinha no fundo do nosso barraco e apesar da pobreza evidente a nossa volta, toda quinta-feira a viela ficava lotada de carrões brilhantes das pessoas que vinham em busca de ajuda. Mamãe, vestida com rendas brancas e azuis a todos atendia estampando um sorriso mágico. Muitas das pessoas que por ali passavam, traziam alimentos e quando a gira terminava agradecíamos a Deus pela comida abençoada, porque mamãe não aceitava dinheiro de ninguém, pois segundo ela Deus saberia a hora certa de nos retribuir.
Aos dez anos de idade, eu freqüentava o grupo escolar da prefeitura e mesmo sofrendo todo tipo de preconceito pela minha aparência incomum, tirava as melhores notas da classe, apelidos não me faltavam, mas confesso que ser conhecido como monstrinho me magoava profundamente, mas mamãe sempre enxugava minhas lágrimas e me convencia do meu real valor. Minha irmã jamais me defendeu, mas por incontáveis vezes mamãe foi a escola e brigou com todo mundo por mim, no final como sempre fazia, me tomava nos braços, eu trançava as penas em sua cintura, ela me enchia de beijos e depois abraçados íamos de volta para casa.
Os anos se passaram e aos vinte e três anos eu havia perdido o movimento das pernas, mas mesmo assim com muito sacrifício me preparava para receber o diploma do magistério, para a alegria de mamãe que não se continha de felicidade, enquanto empurrava minha cadeira de rodas pelos corredores da escola.
Três anos depois, mamãe adoeceu e para minha tristeza partiu deste mundo, deixando um vazio insuportável. Eu passava horas olhando para o terreiro que mamãe tanto adorava, e ficava lembrando dos toques, das danças e do sorriso lindo que sempre enfeitava o rosto lindo daquela mãe de santo, que por acaso era a pessoa que eu mais amava neste mundo. Os tempos que se seguiram foram difíceis, e aos quarenta e dois anos de idade fui vencido pela minha doença degenerativa, adormeci e acordei no terreiro de mamãe, em pé frente ao congar, depois fui conduzido até a frente dos portões da calunga pequena, onde três homens usando capa e capuz, imóveis pareciam me observar. Não posso imaginar quanto tempo fiquei ali parado, pode ser horas, talvez dias, afinal que importância tinha isso, parado ali eu me sentia leve, pleno, feliz. O ranger alto do portão se abrindo espanta dezenas de pássaros, que em revoada se confundem as folhas que caem das árvores arrancadas pelo vento forte, por um momento não consigo ver o que está acontecendo, quando recupero a visão noto que alguém caminha em minha direção. Usando uma capa vermelha e preta, caminha com delicadeza, na mão direita traz um cajado preto, o capuz cobre totalmente seu rosto fazendo com que eu sinta uma mistura de medo e curiosidade, para em minha frente, e levanta o capuz de fundo vermelho e revela o sorriso lindo de mamãe. Um abraço forte dispensa palavras, toma então minhas mãos e juntos caminhamos em direção ao cruzeiro.

Laroie Rosa Caveira,

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Sobre atabaque26

Nosso pequeno grupo de Umbanda, tem como principal objetivo pesquisar e aprender com nossos amigos espirituais, sendo a verdade e seriedade conduta obrigatória em todos os membros da nossa gira. Saravá Caboclo Rompe Mato.
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Uma resposta para A PROTETORA

  1. no meu ver d sacerdotisa e no meu conceito em meus aprendizados é d q ninguem e defeituso perante ao criador OLORUM e aqueles q se sentem como se dizem perfeitos sofrem imediatamente diminuição perante ELE OLORUM ,pois ELE nos amou cm todo seu AMOR d pai .Nos sacerdotes deveriamos abranger +assuntos sobre o AMOR,fratenidade ,respeito ñ so com os nossos irmãos cmo cm os nossos semelhantes lutar para q nossa bandeira nunk morra e q os adptos do candomble seja + humildes p/cm os outro..

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